Nos olhares da plebe
o abandono, do deus
do falar, depois impresso
do todo que se leu.
Enquanto Arte do Gueto
pobres mostrando seu lado
o mesmo sofrimento negro
a que chamou-se Fado.
Ontem, levados ao cárcere
Hoje, aos camelôs da rua
Vê-se um sutil lançar-se
Em busca da palavra nua.
Ontem, vara criminal
Hoje, cadeira universitária
Preto, pobre, de pirraça
descreveu na trajetória
antiga corrente
falada
que trouxe o objeto da caça
o meio
a terceira margem
do rio de mágoas marcadas
com letras de sangue e suor
na marginal,
de fora,
o que ficou,
cravado,
em sinistro ranger
de ossos.
A infame, senil,
cadavérica
memória
da História.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Mãos
Mãos nas nádegas
mãos que tiram o pudor
mãos que se em mim afagas
o selvagem
entorpecente calor
perdem-se mãos em meu corpo
de esguia e falsa curva
buscam caminho novo
pra penetrar-me confusa
Mãos que abrem a carne
que Maria não quiz ver
mãos pra bater-me na cara
pra foder
chupar
roer
Mãos que se em mim estalam
na face
vermelhecer
são mãos
as mesmas mãos plácidas
que rezam ao anoitecer.
mãos que tiram o pudor
mãos que se em mim afagas
o selvagem
entorpecente calor
perdem-se mãos em meu corpo
de esguia e falsa curva
buscam caminho novo
pra penetrar-me confusa
Mãos que abrem a carne
que Maria não quiz ver
mãos pra bater-me na cara
pra foder
chupar
roer
Mãos que se em mim estalam
na face
vermelhecer
são mãos
as mesmas mãos plácidas
que rezam ao anoitecer.
Assinar:
Postagens (Atom)